quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A vida de uma garota do Interior

O fato é que Os Correios consideram que eu moro no Interior de Goiás. Na maioria do tempo, eu discordo. Respiro fumaça quando abro a janela de casa. O barulho dos carros passando na rodovia é assustador. Já assaltaram dezenas de pessoas na minha rua. E toda a rede de transporte e malha viária está interligada nesta coisa chamada "região metropolitana".

Foto minha (Interior do Estado) | Foto wallpaper Goiânia

Mas, daí, surge um fim de semana. E, bazinga! O destino me manda andar pela cidade em que nasci, após anos de perambulância apenas pela capital. Lá vou eu pagar as contas na periferia. Subindo a avenida, eu me lembro: putz, eu já havia feito aquele caminho centenas (talvez milhares de vezes)! Por ali eu fui para o colégio da melhor turma de todos os tempos. Eu só era uma adolescente que, no máximo, precisava se preocupar em como cabular as aulas de Educação Física.

No fim da mesma avenida, lá estava: a praça da Matriz. À direita, o prédio da papelaria onde eu comprava minhas coleções de papéis de carta - que agora foi transformado em um bar. À esquerda, a fonte de água onde eu joguei uma amiga que passara no vestibular há tantos anos! À noite, até hoje, existe uma feirinha onde todos os amigos ainda se encontram. Eu acostumava ir lá toda semana para comprar as tortas de uma certa tia. Bons tempos.

Continuei andando, para não parecer idiota. Mas no fundo minha vontade era de parar e contemplar o tempo. Quantos amigos (e melhores amigos) de infância eu tive?! E todos viveram essa parte simplória da cidade (hoje metrópole), da mesma forma que eu. Sei que algumas amigas engravidaram. Outras já tem três filhos. Outras fugiram com um peão de rodeio do Ceará. Soube de gente que se formou. Gente que trabalha como atendente de lanchonete.  E gente que simplesmente sumiu de vista. Em comum, só nos restou o passado.

É meio triste pensar assim, nas possibilidades. Mas no fim, eu sei que cada um fez sua escolha. E, apesar de tanta diferença, eu sei que, um dia estas pessoas vão se lembrar de que conheceram uma garota C.D.F. que vivia no Interior de Goiás.

1 Comentários:

Juliana Marton disse...

amei o post. simplesmente amei. ;*

Postar um comentário

Obrigada por visitar o DANA box. Deixe seu comentário, sugestão ou o link do seu blog/site!